Entrelaço de almas
Há algum tempo atrás comecei a escrever num pequeno caderno sobre todos meus pensamentos afim de chegar alguma conclusão, a alguma coisa que me levasse para dentro de mim. E, querendo ou não, essa é a melhor forma de conhecer o interior, trazendo-o para fora de algum jeito.
Para algumas pessoas isso se tornou mais fácil, comumente chamados de artistas. Eles exteriorizam o está dentro de formas que nem mesmo elas acreditavam possíveis. É por isso que quando nos deparamos com alguma arte expressa em pinturas, fotos, músicas, livros que nos tocam, na verdade nos deparamos com o interior do outro, que numa espécie de ímã, puxa o nosso pra fora. E de alguma maneira absurda mesmo que não nos expressemos como eles, um fio de alma que vem através dos nossos olhos, nossas entranhas e se encontra naquele segundo mágico com outro interior.
E tudo para.
Uma lágrima pode escorrer. Um arrepio pode acontecer como um sopro gelado no espírito. Um grito que berra por nós. Uma memória que estremece e faz cair por terra nossa carnalidade. Como se fôssemos apenas espíritos entendemos um sentimento por um instante.
Eu entendo isso como arte. Entendo palavras como arte. E me refiro à arte de promover encontros entre coisas tão íntimas que jamais serão de fato materializadas. Elas existem, elas nos puxam pra fora e nos ajudam a entendermos do que somos feitos. Nós só sentimos. Nós sabemos que eles são reais. Nós não vimos, nem escutamos. Sentimos o toque, um “coisa” que nossos pensamentos conseguem transformar em palavras, mas jamais o veremos.
E dessa forma eu entendo o que C.S. Lewis diz quando não somos um corpo com um alma, mas sim uma alma com um corpo. Entendo que esse tipo de coisa me faz pensar naquilo que é invisível. Fui tocada fisicamente de modo com que não posso negar haver uma realidade que é preciso um ímã para entender.
Mas o que é o ímã fica pra outra hora. Preciso encontrar esse pedaço da minha alma com outra e por aí vai…